A entrevista com a ministra Dilma Rousseff publicada hoje no site da Folha (como não vi a versão imprensa, não sei se a entrevista também está lá) é mais uma demonstração do jornalismo tendencioso que eles estão fazendo questão de produzir nos últimos meses.
Está mais que claro que nas perguntas mal feitas e a falta de edição das respostas, eles estão querendo prejudicar a imagem da ministra. Basta notar a quantidade de "santa" e "filha" que estão no texto. Em nenhuma outra entrevista publicada na Folha de São Paulo esse tipo de edição foi adotada, o que mostra claramente a opção política do jornal. (tucana, claro)
Desde fevereiro, quando lançaram a pérola da "ditabranda", maneira inteiramente equivocada e descolada da realidade em que se referiram sobre o período de ditadura no Brasil, o jornal vem cristalizando sua posição conservadora e agressiva.
Resta saber até onde essa ganância jornalística irá chegar...
domingo, 5 de abril de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
Só
Certos momentos na vida exigem isolamento. Pras idéias clarearem e as opiniões se consolidarem, nada como pensar sozinho.
Palpites e conselhos - de amigos, claro - são sempre muito bem vindos, mas em algumas ocasiões nem eles podem interferir, e isso não quer dizer que eles não sejam importantes.
Tudo na vida depende só de quem a vivie.
Palpites e conselhos - de amigos, claro - são sempre muito bem vindos, mas em algumas ocasiões nem eles podem interferir, e isso não quer dizer que eles não sejam importantes.
Tudo na vida depende só de quem a vivie.
quarta-feira, 11 de março de 2009
O Penteado
"Sentou-se. 'Vamos ver o grande cabeleireiro', disse me rindo. Continuei a alisar os cabelos, com mjuito cuidado, e dividi-los em duas porções iguais, para compor as duas tranças. Não as fiz logo, nem assim depressa, como podem supor os cabeleireiros de ofício, mas devagar, devagarinho, saboreando pelo tato aqueles fios grossos, que eram parte dela. O trabalho era atrapalhado, às vezes por desazo, outras de propósito, para desfazer o feito e refazê-lo. Os dedos roçavam na nuca da pequena ou nas espáduas vestidas de chita, e a sensação era um deleite. Mas, enfim, os cabelos iam acabando, por mais que eu os quisesse intermináveis. Não pedi aos céus que eles fossem longos como o da Aurora, porque não conhecia ainda essa divindade que os velhos poetas me apresentaram depois, mas desejei penteá-los por todos os séculos dos séculos, tecer duas tranças que pudessem envolver o infinito por um número inominável de vezes. Se isto vos parecer enfático, desgraçado leitor, é que nunca penteastes uma pequena, nunca pusestes as mãos adolescentes na jovem cabeça de uma ninfa..."
Dom Casmurro, Machado de Assis.
Dom Casmurro, Machado de Assis.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Caros Amigos de fevereiro
Sei que já estamos no final do mês de fevereiro, mas não custa nada falar que a Caros Amigos de fevereiro está nas bancas com uma série de artigos e reportagens sobre a questão Palestina, uma das matérias é minha.
No site www.carosamigos.com.br também tem uma outra matéria da página principal.
No site www.carosamigos.com.br também tem uma outra matéria da página principal.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Era tudo mentira minha gente...
Na última postagem defendi a posição de que a brasileira Paula Oliveira foi atacada na Suiça, mas as últimas notícias, enfim, esclarecem o que aconteceu.
Para a tristeza de todos os brasileiros, e desespero daqueles que ainda acreditam na humanidade, Paula Oliveira confessou ter se auto-multilado e inventado a gravides.
Uma vergonha para todos nós...
Para a tristeza de todos os brasileiros, e desespero daqueles que ainda acreditam na humanidade, Paula Oliveira confessou ter se auto-multilado e inventado a gravides.
Uma vergonha para todos nós...
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Os eternos colonizadores
Na última semana, o caso da brasileira agredida na Suiça foi o grande assunto da mídia.
Logo nos primeiros dias depois do acontecimento a mídia brasileira estava solidária com o caso, falando de crime neonazista, entrevistando o Secretário dos Direitos Humanos, indignada com o tratamento dado no primeiro mundo.
Mas no decorrer da semana o tratamento foi mudando. Depois das declarações de peritos, da polícia, e da mídia suiça afirmando que a própria advogada brasileira tinha se auto-multilado e inventado uma gravidez, a nossa imprensa viajou nesse mesmo barco e passou a tratar esse crime como uma "suposta agreção".
Esse caso é um bom exemplo da relação colonizadores x colonizados que ainda existe no mundo. A Suiça, um país rico, com a criminalidade quase zero, com pessoas civilizadas, não pode deixar que o mundo todo saiba que lá existe jovens preconceituosos, agressivos, que ainda perpetuam em suas mentes a doentia idéia da raça superior. Por isso é preciso desmoralizar a gentinha lá de baixo, que vai pra Europa e ainda arruma confusão, e pra isso vale até artigo no jornal dizendo que no Brasil é comum as mulheres inventarem gravidez para garantir marido.
É pra pior ainda mais a diplomacia entre os países, o líder do Partido para o Povo Suiço, dono das siglas SVP que foram riscados no corpo da advogada, disse que o presidente Lula deveria pedir desculpas pelas declarações.
Isso tudo é um grande absurdo, uma insanidade que, se a mídia brasileira não se posicionar, vai perpetuar para o mundo.
Logo nos primeiros dias depois do acontecimento a mídia brasileira estava solidária com o caso, falando de crime neonazista, entrevistando o Secretário dos Direitos Humanos, indignada com o tratamento dado no primeiro mundo.
Mas no decorrer da semana o tratamento foi mudando. Depois das declarações de peritos, da polícia, e da mídia suiça afirmando que a própria advogada brasileira tinha se auto-multilado e inventado uma gravidez, a nossa imprensa viajou nesse mesmo barco e passou a tratar esse crime como uma "suposta agreção".
Esse caso é um bom exemplo da relação colonizadores x colonizados que ainda existe no mundo. A Suiça, um país rico, com a criminalidade quase zero, com pessoas civilizadas, não pode deixar que o mundo todo saiba que lá existe jovens preconceituosos, agressivos, que ainda perpetuam em suas mentes a doentia idéia da raça superior. Por isso é preciso desmoralizar a gentinha lá de baixo, que vai pra Europa e ainda arruma confusão, e pra isso vale até artigo no jornal dizendo que no Brasil é comum as mulheres inventarem gravidez para garantir marido.
É pra pior ainda mais a diplomacia entre os países, o líder do Partido para o Povo Suiço, dono das siglas SVP que foram riscados no corpo da advogada, disse que o presidente Lula deveria pedir desculpas pelas declarações.
Isso tudo é um grande absurdo, uma insanidade que, se a mídia brasileira não se posicionar, vai perpetuar para o mundo.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Despedida do Mino
Uma notícia me marcou a noite de ontem. Durante o jantar de aniversário da minha sogra o André disse: "Você viu que o Mino Carta parou de escrever?" Fiquei chocada com a notícia, sem entender direito.
Quando cheguei em casa liguei o computador e li o post de despedida (www.blogdomino.com.br), logo no começo do texto ele escreve: "Quando escolhi o Brasil como lugar definitivo da minha vida, optei também sobre o jornalismo."
E pelas justificativas apresentadas no texto, é a situação do Brasil de hoje, a decepção com o governo Lula, e a opção do Brasil em considerar Battisti como refugiado político, que o levaram a desistir no jornalismo.
Duas semanas atrás tive a oportunidade de conhecer Mino Carta pessoalmente, fui entrevistá-lo para uma matéria que estou fazendo para a Caros Amigos. Naquela mais de uma hora de conversa ouvi relatos da história moderna do Brasil pela boca de um de seus protagonistas.
Uma das perguntas que fiz foi sobre a situação da grande mídia hoje, e quais as perspectivas dele pro futuro, ele me respondeu categoricamente que para se obter mudanças "só com muito sangue na calçada." Mas esse é um processo duro e a longo prazo.
Enquanto não alcançamos tal objetivo, eu acredito que o papel desempenhado pela imprensa independente é fundamental. É o contra-ponto a informação dominante, a brecha do pensamento crítico.
Mino Carta tem seus motivos pra ter tomado essa decisão, só que mais uma vez a sociedade sai prejudicada por ter perdido uma de suas melhores cabeças.
Quando cheguei em casa liguei o computador e li o post de despedida (www.blogdomino.com.br), logo no começo do texto ele escreve: "Quando escolhi o Brasil como lugar definitivo da minha vida, optei também sobre o jornalismo."
E pelas justificativas apresentadas no texto, é a situação do Brasil de hoje, a decepção com o governo Lula, e a opção do Brasil em considerar Battisti como refugiado político, que o levaram a desistir no jornalismo.
Duas semanas atrás tive a oportunidade de conhecer Mino Carta pessoalmente, fui entrevistá-lo para uma matéria que estou fazendo para a Caros Amigos. Naquela mais de uma hora de conversa ouvi relatos da história moderna do Brasil pela boca de um de seus protagonistas.
Uma das perguntas que fiz foi sobre a situação da grande mídia hoje, e quais as perspectivas dele pro futuro, ele me respondeu categoricamente que para se obter mudanças "só com muito sangue na calçada." Mas esse é um processo duro e a longo prazo.
Enquanto não alcançamos tal objetivo, eu acredito que o papel desempenhado pela imprensa independente é fundamental. É o contra-ponto a informação dominante, a brecha do pensamento crítico.
Mino Carta tem seus motivos pra ter tomado essa decisão, só que mais uma vez a sociedade sai prejudicada por ter perdido uma de suas melhores cabeças.
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